Dizem as escrituras, deixadas pelos primeiros, que a maior parte do nosso mundo, no começo, era um grande deserto, que era chamado de Daara, aonde só se podia ver um mar infinito de areias e ruínas de uma outra era.

E foi nesse deserto que Nhanderuvuçu encontrou, ainda criança. Uma das lendas da criação que diz que ele veio velejando numa pequena canoa, lá do mar negro do vazio.

No Daara ele foi guiado pela voz da sua mãe, Jasuka, a nossa Mãe Terra, até as ruínas do templo dos templos, a Morada Celeste. Na sua longa jornada de aprendizado, ele passou por muitas aventuras, enfrentou grandes perigos e pode conhecer Jagwaré Eté, a onça Primordial, aquela que trazia a luz eterna e carregava o próprio sol, Guaraci, sobre sua cabeça, e Urukere’a, a Coruja Primordial, que trazia a escuridão eterna e carregava a própria lua, Jaci, sobre sua cabeça.

Agora, o jovem Nhanderuvuçu conseguiu chegar ao seu destino.

No altar em ruínas, Jasuka diz que Nhanderuvuçu deve fazer um sacrifico a ela, para que se cumpra sua profecia. Ele olha à sua volta e não encontra nada que possa entregar.

Nhanderuvuçu se ajoelha e pega sua faca de madeira, corta a palma de suas mãos e deixa seu sangue escorrer sobre o chão. À medida que o sangue se espalha, vai preenchendo um desenho e, quando a forma fica completa, Nhanderuvuçu começa a desfalecer; um pequeno beija flor surge e pousa sobre ele, o mesmo que o guiou quando criança, no Mar Negro do Vazio. O pequeno pássaro toma a forma de Ñande Jari e segura o jovem em seus braços, toca seus lábios nos dele e o sangue de Nhanderuvuçu começa a se transformar em energia, um puro e poderoso Obiru, suas feridas se fecham, enquanto um grande tremor abala todo lugar e as ruinas começam a se restaurar em toda parte. A Morada Celeste se refaz por completo, enquanto sobe os céus, banhado pela chuva que começa.

Jasuka agradece a seu filho por despertá-la.
Os dois saem do templo e param diante de uma varanda, de onde ficam maravilhados com o deserto ganhando vida e se tornando uma grande floresta, se tornando a nossa Floresta Mãe.

Quando o mundo era apenas um imenso deserto sem vida, coberto por ruinas de uma era passada, eu adormecia a espera daquele que iria me despertar.

O Mar Negro do Vazio me presenteou com meu filho, Nhanderuvucu, e foi ele quem fez se cumprir a ultima profecia, dando inicio a Vigezima Setima Era dos Mortais.